quarta-feira, 1 de abril de 2009

Janaína Miranda e Carmen Moreno

Uma das mais promissoras vozes da música brasileira, Janaína Moreno vem se destacando desde 2004 nos palcos de Belo Horizonte. Acompanhada de músicos como Mestre Jonas, Miguel dos Anjos, Dé Lucas, Rodrigo Torino, Thiago Delegado, Alcione Oliveira, ela canta composições próprias, além de clássicos da MPB e de canções da nova geração de sambistas de Minas Gerais. Essa cantora e atriz vem conquistando um público fiel e cada vez maior, com seus espetáculos vivos e eletrizantes.
Tudo isso é fruto do seu ímpeto de pesquisadora apaixonada e interessada pela cultura popular brasileira, seus ritmos, suas brincadeiras. O que acabou por fazer dela uma partideira (cantora de partido alto, espécie de canto improvisado). Desde que passou a se dedicar ao samba, em 2004, vem dividindo palco com artistas como Guinga, Fabiana Cozza e Moacir Luz.
Também integra a banda “Samba da madrugada”, criada por Miguel dos Anjos, Mestre Jonas e Mário Moura. Sucesso há um ano e meio na noite de Belo Horizonte, eles vêm se apresentando nas sextas e sábados. O público mineiro já sabe: ir a um show de Janaína Moreno é poesia garantida.
Cantora, compositora, atriz e capoeirista, Janaína Moreno se dedica às artes há 18 anos, se formou em teatro pelo T.U. UFMG. Como atriz foi standy de Inês Peixoto, do Grupo Galpão, em “Um homem é um homem”, com direção de Paulo José. Seu trabalho mais recente no teatro é o espetáculo “O ultimo vôo do flamingo” baseado no romance homônimo do escritor moçambicano Mia Couto, com direção de Paulo César e Papoula Bicalho. Por este trabalho foi indicada ao prêmio Usiminas/Sinparc de melhor atriz no ano de 2007. Foi protagonista do curta “Normal”, com direção de Márcia Vieira e Tadeu Albergaria. Este filme foi o ganhador da “V Mostra Minas de Cinema e Vídeo” em Belo horizonte.

Sua formação musical se fez paralelamente a sua formação de atriz. Auto-didata durante vários anos, foi também aluna de canto da Babaya e, atualmente, do cantor e professor Anthonio.

Em janeiro desse ano, vi pela primeira vez a Janaína cantando no Carioca da Gema. Ela ganhou o concurso de novos talentos da casa. Gostei da sua voz, do repertório e ainda tocava um pandeiro arrumado, show de bola!
Depois, meu irmão Marcelo Correia me chamou para fazer parte da banda, num show do centenário de Carmem Miranda. Claro que aceitei, e agora estou tendo o privilégio de conhecer melhor essa grande cantora.
Foi uma correria para ensaiar esse show, pois tínhamos uma semana, rsrsrs, na verdade, apenas quatro dias. Só o Marcelinho mesmo, não muda, mas deu tudo certo. Com arranjos impecáveis dele e do Luiz Henrique, fizemos uma temporada no Carioca da Gema no mês de março e estamos mandando esse projeto para outras entidades.
Para quem não conhece, agora vou falar um pouco da Carmem Miranda.

Maria do Carmo Miranda da Cunha, nasceu em 9 de fevereiro de 1909, na Freguesia de Várzea da Ovelha, pertencente ao Concelho de Marco de Canavezes, antiga São Martinho da Aliviada, no Distrito do Porto, em Portugal. Recebeu o nome Maria do Carmo em homenagem à sua madrinha Da. Maria do Carmo Pinto Monteiro. Foi batizada na Igreja de São Martinho da Aliviada. Era filha de José Maria Pinto da Cunha e de Maria Emilia Miranda da Cunha.Os filhos do casal, pela ordem: Olinda, Maria do Carmo (Carmen), Amaro, Cecilia, Aurora e Oscar, os 4 últimos nascidos no Rio de Janeiro.Carmen nasceu numa casa assobradada de pedra, no ponto hoje chamado de Obras Novas, na citada freguesia.O nome "Carmen" trata-se de abreviação de Maria del Carmen, que é o mesmo que Maria do Carmo. De origem espanhola, foi muito difundido em razão da ópera "Carmen" de Bizet, a partir de 1875. Comumente, quem tem por nome Maria do Carmo é chamada de Carmen ou Carminha. Não foi Carmen um nome artístico, mas, primeiramente, familiar.

17 de dezembro de 1909 - Chegada de Carmen, aos dez meses e oito dias, com a mãe e Olinda ao Brasil. O pai já se tinha antecipado (chegou no Rio de Janeiro em 27 de setembro de 1909), estabelecendo-se com um salão de barbeiro — mais tarde denominado "Salão Sacadura" — à Rua da Misericórdia nº 70, no Rio.

1925 - A família Miranda da Cunha, então residindo à Rua Joaquim Silva nº 53, casa 4, na Lapa, muda-se para um sobrado da Travessa do Comércio nº 13, no centro comercial do Rio, entre a Praça 15 (Arco do Teles) e a Rua do Ouvidor, nele instalando uma pensão, para fazer face às despesas com o tratamento pulmonar de Olinda em Portugal, num sanatório do Caramulo. Carmen, aos 14 anos, deixa a escola e emprega-se numa loja de gravatas como balconista. A pensão, dirigida por Dona Maria, com o auxílio dos filhos, servia refeições aos rapazes do comércio. Olinda morreu em 1931, com 23 anos. Tinha linda voz. Chegou a cantar música popular no Teatro Lírico, de certa feita. A vocação artística — todos cantaram e bem — provém do lado materno. Olinda morreu em Portugal acompanhando, por cartas e discos, a carreira já vitoriosa de Carmen.
Fevereiro de 1929 - Carmen canta num festival, organizado pelo baiano Aníbal Duarte, no Instituto Nacional de Música no centro do Rio. Josué de Barros, compositor e violonista baiano, passa a se interessar por sua carreira — promove-a junto às estações de rádio, clubes e gravadoras.

1929 - Grava, provavelmente em setembro, seu primeiro disco na Brunswick (Lado A: "Não Vá Sim'bora", samba, Lado B: "Se O Samba É Moda", chôro), lançado no fim do ano. Nesse ínterim, à espera do lançamento, continuava cantando onde pudesse.

4 de dezembro de 1929 - Grava seu primeiro disco na Víctor, com "Triste Jandaia" e "Dona Balbina", depois que Josué conseguiu um teste com Rogério Guimarães, diretor da gravadora.

21 de maio de 1930 - Participa da "Tarde do Folclore Brasileiro", no Teatro Lírico, organizada por Pixinguinha.

28 de agosto de 1930 - Comparece à festa de "O Melhor Escoteiro do Brasil", promovida pelo "Diário Carioca", como simples espectadora. "Carmen Miranda! É o que se ouve nos quatro cantos do teatro. É que a querida cantora estava na platéia e o público que a festeja, como artista de mérito que é, reclama sua presença no palco, não sendo, porém, satisfeito." (Diário Carioca, 29 de agosto de 1930).

1º de outubro de 1931 - Embarca com Francisco Alves e Mário Reis, e outros artistas, para Buenos Aires, com contrato de um mês no Cine Broadway. Voltam pelo "Astúrias" a 8-11-1931.
21 de agosto de 1932 - Canta no "2º Broadway Cocktail" com Francisco Alves, Noel Rosa e Almirante.

6 de março de 1933 - Estréia de seu primeiro filme, "A Voz do Carnaval", no Cine Odeon.
Agosto de 1933 - Assina contrato de 2 anos com a Rádio Mayrink Veiga, para ganhar 2 contos de réis mensais. Em caso de rescisão, 10 contos de multa. Era a primeira cantora de rádio a merecer contrato, quando todos recebiam cachê. Nesse mês, para assumir a direção artistica da Mayrink, chegava César Ladeira, famoso "speaker". Procedia da Rádio Record. Carmen era chamada de "Cantora do It". César batizou-a de "Ditadora Risonha do Samba" e, em 1934 ou 1935, de "Pequena Notável".

30 de outubro de 1933 - Vencedora do concurso "A Nação-Untisal", embarca para Buenos Aires com outros artistas, para cantar na L.R.-5. Volta a 5 de dezembro de 1933. Começa a ser chamada de "Embaixatriz do Samba".

Julho de 1934 - Visita o Brasil o astro de cinema Ramon Novarro, para promoção do filme "Voando para o Rio" — Carmen cantou numa recepção ao artista. Comentavam-se já suas Possibilidades em Hollywood.

26 de outubro de 1934 - Embarca, pelo "Western World", para Buenos Aires, com Aurora, "Bando da Lua", contratados por Jaime Yankelevisch, da Rádio Belgrano, para temporada de um mês.

23 de maio de 1935 - Excursiona a Buenos Aires, sem a companhia de outros artistas, para cantar na Rádio Belgrano. Nesse mesmo dia, de passagem, canta na PRF-9 de Porto Alegre, assim como na volta (20 de junho de 1935).

20 de janeiro de 1936 - Estréia de seu filme "Alô, Alô Carnaval" no Cine Alhambra.
15 de julho de 1936 - Embarca para cantar na Rádio Belgrano de Buenos Aires, com Aurora, Custódio Mesquita e os músicos Laurindo de Almeida, Zézinho ("Zé Carioca"), Eugênio Martins e Sutinho. Era para seguir o conjunto de Benedicto Lacerda, mas alguns elementos não puderam aprontar-se a tempo. Carmen rejeita a participação em um filme argentino em que faria o segundo papel. Regressam a 12 de setembro de 1936.

22 de janeiro de 1937 - Em São Paulo, no Teatro Santana e na Rádio Record, com Aurora, Jorge Murad, "Bando da Lua", Sylvio Caldas e Vassourinha. "O sucesso popular foi tamanho que a Praça da República, embora o mau tempo, ficou apinhada." (Revista Carioca, 30 de janeiro de 1937). Foi carregada em triunfo do Teatro à sacada da Record de onde cantou para a multidão. Apresentam-se no Teatro Coliseu de Santos a 28 de janeiro de 1937.

27 de fevereiro de 1939 - Grava com Dorival Caymmí "O Que É Que a Baiana Tem".

3 de maio de 1939 - Faz sua última gravação em disco antes da viagem da música "Cozinheira Granfina" de Sá Roriz, com participação de Almirante. De partida para os Estados Unidos, despede-se do público num espetáculo no "grill" do Cassino da Urca.

29 de maio de 1939 - Estréia na revista "Streets of Paris", em Boston, com êxito estrondoso. Já popular, é homenageada no Jockey Club da cidade com um páreo que leva seu nome. Dizia a imprensa: "sua graça pode ser comparada a dos ídolos de um antigo templo asteca (sic)".
Fevereiro de 1940 - Participa, apenas cantando, das filmagens de "Serenata Tropical". A produção do filme é feita em Hollywood, na Califórnia, mas somente a parte de Carmen é filmada por outra equipe em Nova York, para não interromper seus compromissos com a revista na Broadway e seus diversos shows em clubes noturnos, hotéis e na "Feira Mundial".

2 a 27 de setembro de 1940 - Grava suas últimas seis músicas no Brasil, quase todas repelindo as críticas de sua americanização.

25 de março de 1941 - Imprime suas mãos e sapatos no cimento da calçada do Teatro Chinês de Los Angeles, primeira e única sul-americana a receber tal honraria.
1941 a 1953 - Atua em mais 13 filmes em Hollywood. Sua presença também é constante nos mais importantes programas de rádio, televisão, "night-clubs", cassinos e teatros.

1946 - Tem o maior salário pago à um artista e torna-se, portanto, a mulher que mais paga imposto de renda nos E.U.A.

17 de março de 1947 - Casa-se com o americano David Sebastian, nascido em Detroit a 23 de novembro de 1908.

26 de abril de 1948 - Estréia em sua temporada no Teatro Palladium de Londres. Contratada para 4 semanas, teve de ficar 6. Ganhou 100.000 dólares. Enorme fortuna na época.
Agosto de 1948 - Perde o filho que esperava.
1951 - É a artista de show que mais dinheiro recebe nos E.U.A. Nesse ano visita o Havai.

Março de 1953 - Começa uma excursão a vários países da Europa.

3 de dezembro de 1954 - Depois de 14 anos de ausência, volta ao Brasil — faz breve escala em São Paulo. Estava com profundo esgotamento nervoso. Matou as saudades, compareceu a teatros e festas, e foi muito homenageada.

4 de abril de 1955 - Restabelecida, volta aos E.U.A.

Maio a Agosto de 1955 - Trabalha em Las Vegas, Havana em Cuba e na televisão.
12 de agosto de 1955 - Chegada pela manhã de seu corpo embalsamado, com velamento na antiga Câmara de Vereadores do Rio (atual Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na Cinelândia), das 13 horas desse dia até às 13 horas do dia 13. Mais de 60.000 pessoas desfilaram perante seu corpo.

13 de agosto de 1955 - Sepultamento de Carmen no Cemitério de São João Batista, em lote cedido pela Santa Casa de Misericórdia. O acompanhamento — entre 500.000 a um milhão de pessoas. Foi o mais concorrido de toda a história do Rio, debaixo de profunda comoção popular, apesar dos 15 anos sem nenhuma apresentação pessoal de Carmen no Brasil e já transcorridos 8 dias de seu falecimento. O Hospital Souza Aguiar atendeu a 182 casos de crise emocional. Uma das dezenas de missas rezadas pela sua alma foi na Catedral da Sé de São Paulo, por Frei José de Guadalupe Mojica.

5 de dezembro de 1956 - O prefeito Negrão de Lima assina a Lei nº 886, que cria o Museu Carmen Miranda, para guarda, conservação e exposição do acervo da artista, doado pelo marido, e constante de sapatos, roupas, jóias e troféus.

7 de novembro de 1960 - Inauguração do busto de Carmen Miranda, esculpido por Matheus Fernandes e do busto de Francisco Alves, no Largo da Carioca. Posteriormente, em virtude de obras no local, foi recolhido a um depósito.

Fevereiro de 1972 - A Escola de Samba "Império Serrano" vence o desfile das escolas de samba com o enredo "Alô Alô Taí Carmen Miranda".
9 de fevereiro de 1974 - O busto de Carmen é recolocado na Ilha do Governador, na Praia da Bica.

5 de agosto de 1976 - É inaugurado o "Museu Carmen Miranda" pelo governador Faria Lima, em frente ao número 560 da Avenida Rui Barbosa, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.

Carmen a pequena notável.

3 comentários:

Fernanda disse...

Amei!
Além de tudo mais, uma aula de Carmem Miranda.
Maravilha!!!

vanessa disse...

nossa adorei o texto! conhecimento nunca é demais e está mto bem escrito e explioado!
abraço!

blog do cavibo disse...

gostei demais do que xpôs sobre Carmen.

Valeu.

Precisava saber mais dela e, por aqui, isto se fez ser.

Sou-lhe imensamente grato.

Abraços.

Cavibo